VISITE: Ensaios de e sobre Abellio
Falando da obra de Abellio, Jean-Pierre Dautun escreveu com justeza: "... Vê-se nela um método. Uma pedagogia que ultrapassa hoje e ontem. Que ilumina as civilizações remontando até a China antiga e o Israel eterno, por uma série de marcos demasiado simples — são os do homem interior — para que a distração corrente neles reconheça os seus. Abellio explora simplesmente a revolução interior que mais cedo ou mais tarde amadurece aqueles que já tiveram o suficiente da inanidade das revoluções exteriores. Com três ferramentas: a cabeça, o sexo, a meditação sobre o tempo, a criação do artista e a morte. As únicas ferramentas que sempre escapam a qualquer poder socializado, as únicas diante das quais cada um está consigo mesmo."
Não se pode falar mais corretamente, pois ler Abellio é aprender:
— a sair da História tal como veiculada pela mídia, a deixar de ser "militante" ou melhor, a ser apenas militante por esta recusa de militar no visível,
— a viver o casal (o que ele nomeava "o casal último") libertando-se do que se poderia chamar uma verdadeira esquizofrenia sexual,
— a sair da ciência do conceito para a ciência da consciência,
— a sair do esoterismo e das coleções de símbolos,
— e finalmente, já que é preciso limitar-se, a sair (como ilustrou magistralmente em Visages immobiles, onde apelava para "a consciência operante do leitor") da literatura e mais particularmente do romance tal como está institucionalizado. [Raymond Abellio de la politique à la Gnose. Entretiens avec Marie-Thérèse de Brosses. Paris: Pierre Belfond, 1987]